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Os escribas do Brasil

2009/02/07

Estátua em calcário do escriba Amen-hotep, filho de Nebiri

Datada do Império Novo, XVIII dinastia, cerca de 1426-1400 a.C

Museu de Brooklyn, Estados Unidos.

Fonte: Flickr. Autor: wallyg. Licença: CC-by-nc-nd-2.0

“Os escribas do Brasil” é um artigo de Isaura Daniel, publicado na página da Agência de Notícias Brasil-Árabe, que aborda o estudo e conhecimento no Brasil da língua dos antigos egípcios.  Embora tenha sido publicado há mais de um ano, o texto lança um olhar sobre a egiptologia no Brasil, o que faz com que a sua reprodução neste blogue seja pertinente. Segundo a página da ANBA, as matérias podem ser reproduzidas desde que citada a fonte, pelo que fica aqui o texto integral.


Os escribas do Brasil

Isaura Daniel

São Paulo – Para um grupo seleto de brasileiros, os sinais e desenhos que constam em tábulas de calcário e papiros do Egito Antigo não são apenas sinais e desenhos. Uma meia dúzia de estudiosos do país, a maioria ligada ao mundo acadêmico, entende muito bem a linguagem da época dos faraós. São pesquisadores e professores como Ciro Flamarion Santana Cardoso, Antonio Brancaglion Junior e Moacir Elias Santos que dominam e até ensinam a língua egípcia Brasil afora. O conhecimento é usado pelos especialistas, e também por seus aprendizes, para decifrar documentos originais do Egito Antigo.

A egípcia é considerada uma língua morta já que não é mais falada. O idioma é usado atualmente apenas em rituais litúrgicos da Igreja Copta, segundo Ciro. O que a igreja usa é, na verdade, o último desdobramento da língua egípcia original, chamada oficialmente de copta. Os primeiros registros do idioma egípcio são de cerca de três mil anos a.C. A linguagem desta época é chamada de egípcio arcaico ou antigo. Depois o idioma evolui para egípcio médio, tardio, demótico e então para o copta. O copta já é baseado no alfabeto grego, mas usa também caracteres egípcios.

Ciro, professor de História Antiga na Universidade Federal Fluminense (UFF), aprendeu a língua egípcia na época em que fez seu doutorado na Universidade de Paris, na França. Enquanto preparava o doutorado, ele fez aulas de egípcio na Escola do Louvre. Quando retornou ao Brasil, após doze anos na Europa, Costa Rica e México, Ciro entrou na UFF para lecionar História das Américas, área do seu mestrado e alguns anos após optou por História Antiga. Nesta época, final dos anos 80, foi criado o setor de História Antiga e Medieval dentro do Programa de Pós-Graduação em História da UFF e Ciro começou a dar aulas de egípcio para alunos de mestrado e o doutorado.

A disciplina é aberta quando há estudantes com pesquisa na área de egiptologia. No ano passado, por exemplo, foram três alunos regulares e mais sete ouvintes. O curso dura um semestre e dá uma noção básica de como funciona a o egípcio médio. Para ter domínio completo, explica Ciro, é preciso continuar pesquisando por conta. O professor acredita que o Egito Antigo desperta grande interesse nas pessoas em função da arte da época e também da crença na eternidade da civilização egípcia antiga. “As pessoas têm simpatia pela estética da civilização”, diz o professor, explicando porque as aulas de egípcio atraem tantos alunos ouvintes, que normalmente não são pesquisadores acadêmicos do tema.

Moacir Elias Santos foi um dos alunos de língua egípcia de Ciro. O paranaense, atualmente professor no curso de História do Centro Universitário Campos de Andrade (Uniandrade), de Curitiba, no Paraná, aprendeu egípcio quando fez seu mestrado em Arqueologia na Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. Agora Santos também ensina a língua dos faraós. Ele já deu cursos na área na Uniandrade e neste ano será introduzida uma disciplina de Língua Egípcia na especialização em História Antiga e Medieval da universidade, que ficará a cargo do professor.

Há ainda outros mestres da língua egípcia no Brasil, como o pesquisador Antonio Brancaglion Junior, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj) e Universidade de São Paulo (USP), e a historiadora Margaret Bakos, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Porto Alegre. No total, segundo as contas dos pesquisadores, há menos de dez pessoas que dominam o egípcio antigo no Brasil. No Egito Antigo, os que sabiam ler e escrever e trabalhavam diretamente com esta área eram chamados de escribas. De acordo com Santos, não havia gramática, o aprendizado ocorria na prática.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe

16 comentários leave one →
  1. Bruna permalink
    2009/05/06 13:36

    eu acho a escrita do egito muito interessante,tem vários sinais e essas coisas e isso é muito legal…

  2. Táfnis permalink
    2009/05/09 14:40

    Olá! Meu nome é Táfnis e também acho interessante muitas coisas sobre o Egito.
    E sei que o meu nome é Egipcio, nome de uma Rainha Egipcia que é encontrado na Biblía e também é o nome de uma Cida no Egito.
    Eu gostaria de saber se você saberia me dizer o significado deste nome?
    Obrigada!
    Táfnis .

  3. Blogue Antigo Egipto permalink*
    2009/05/09 17:28

    Pois é, Bruna, para além da escrita hieroglífica ser bela aos nossos olhos, ela tinha segundo os egípcios um verdadeiro poder.

    Olá Táfnis, infelizmente não lhe sei dizer o significado do seu nome. No entanto, encontrei esta página http://www.studylight.org/enc/isb/view.cgi?number=T8580 que tem algumas dicas interessantes sobre a rainha e o lugar.

    Segundo essa outra página em inglês http://www.studylight.org/enc/isb/view.cgi?number=T8580 o nome da cidade pode ser traduzido como “encherás as mãos de piedade”. O sítio onde se situava a antiga Táfnis é hoje conhecido como Tell Defene e da cidade antiga pouco restou. Espero ter ajudado!

  4. Manoella permalink
    2009/07/08 21:07

    Oi meu nome é Manoella e eu acho,muito legal a história do antigo agito
    aprender sobre o osires e muito outros!

  5. kira permalink
    2009/07/11 19:54

    eu gosto d mais de tudo que fala sobre o egito antigo
    é facinate

  6. kira permalink
    2009/07/11 19:55

    esse site tá de parabens

  7. Blogue Antigo Egipto permalink*
    2009/07/13 22:33

    Muito obrigado pelos comentários, é bom saber que as pessoas acham este blogue útil.

  8. Samantha permalink
    2009/08/19 23:43

    porque não tem cursos de copta no Brasil? meu sonho é trabalhar no Egito daqui ha alguns anos,queria muito saber mais sobre a língua e o significado..

  9. R Shenouda permalink
    2009/09/26 16:44

    Parabéns pela blog que fala da cultura dos nossos antepassados e tambem de nossa linguagem liturgica.

  10. Blogue Antigo Egipto permalink*
    2009/09/28 11:15

    Muito obrigado.

  11. JORGE permalink
    2009/10/08 18:27

    estou procurando o professor Roland do Uruguai especialista em Egito Antigo. grato

  12. Igo Castro Carreiro permalink
    2010/03/20 20:47

    Olá, eu adoro o Egito. Sou estudante de História na UFPI e lamento o fato de lá não ter especialização nesta área… e nem um aprofudamento no Egito Antigo, que é a área que pretendo seguir…É uma pena que para eu fazer o que goste serei obrigado a me mudar…Obrigado e continuem….

  13. 2010/03/21 21:46

    Olá, busco um curso de copta em Brasília ou on line, mesmo que seja de inglês para copta. Você conhece? também busco livros, dicionários ou o que existir de português para copta ou inglês para copta. Se puderem ajudar, agradeço. Obrigada!

  14. Antonio permalink
    2010/06/30 10:07

    Os coptas tem que se orgulhar de suas raízes egípcias ancestrais, esse povo que vive às margens do Nilo são os descendentes diretos dos antigos egípcios que se tornaram cristãos com a ida de São Marcos ao Egito por volta do ano 43 depois do Cristo. A comunidade copta está em peso no sul do Egito, e ainda há falantes do egípcio na forma do copta em pequenas aldeias cristãs do sul, ademais, o idioma é usado nos rituais litúrgicos da Igreja Copta Ortodoxa e Copta Católica do Egito. Essas igrejas merecem uma atenção muito grande devido a preservação dos costumes e tradições antigas dos egípcios. O idioma egípcio somente sobreviveu ao longo dos séculos após a invasão árabe porque a igreja o manteve. E a escrita copta foi de suma importância na decifração dos hieróglifos porque Champolion suspeitava que os hieróglifos estivessem escritos na língua que os cristãos egípcios falavam só que numa forma mais arcaica, a escrita copta escreve as vogais mediais que em hieróglifos não se escreviam. Os egípcios mudaram a forma de escrever sua antiga língua após deixarem a religião milenar nos primeiros séculos ao aderirem o cristianismo, considerando os hieróglifos como uma escrita pagã, daí os fonemas egípcios passaram a ser escritos usando-se o alfabeto grego e mais uma parte do alfabeto demótico, essa é a escrita chamada copta. O som da linguagem da para se ter uma idéia de como era falada a língua no Egito antigo.

  15. pedro permalink
    2010/08/13 19:33

    olha so isso ate que ta bom mais ajente nao quer saber sobre os professores agente que saber sobre os escribas do brasil

  16. 2010/12/24 22:53

    Muito bom parabéns pelo blog!!!

    Gosto muito do assunto Egito e tenho sido auto-didata no estudo do idioma copta sahidico.

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